a bailarinalinda
tateia na botina
negra peça fina
no couro do soldado
ela arrasa
ele é raso
tchaicowsky não bebia
mas o intendência do bute deglute
gole a gole goela abaixo
a bailaria-naftalina desatina
natalina loura parafina
aplica morfina se amofina
(e no outro dia vai ela pra tina
desfaz nela o seu reinado)
o soldado egresso pregresso regressa à lida
esmaga dívida as vinte na sola do coturno
e sai mão no bolso coração no escroto
assobiando baixo o lago dos cisnes
Comentário do pesquisador
Poema publicado na seção "Cartas do Leitor" da Revista "Malasartes" Nº 3 (abril/maio/junho 1976).